Os verões nunca mais serão os mesmo, nem os dezembros, nem os natais.
Me encontro impaciente e em agonia, porque eu não podia, eu não posso, mas o mar, o mar nos fez encontrarmos um ao outro naquele olhar, naquele beijo, de baixo daquele céu estrelado, num natal qualquer, numa viagem qualquer, bebendo cerveja barata e fumando como condenados durante uma guerra;
Eu e você, a areia e os siris, o uivo do cachorro lá longe, a música ruim ao fundo, risadas e tragos, carinhos timidos e beijos sem fim, foi assim, e permanecerá assim, no mesmo momento, ficamos congelados, naquela praia quente, na noite que fervilhava a alegria, tensão, olhares e a fumaça - ''tem um cigarro?''
O jeito como rias e fechava os olhos, trançava as pernas por causa da bebedeira, respirava fundo, calmo e na nossa timidez, na nossa doce e inocente timidez, falávamos da vida, da rotina, do caos, das substâncias e de toda a ardência do cotidiano.
A maré estava calma, mas meu coração não, minha mente parecia borbulhar o sal daquele mar, teus beijos acalmavam, seus toques brilhavam e nosso adeus....
Eu nunca me esquecerei de você, como prometi, e espero que não esqueças de mim também... Seu isqueiro está comigo, nele sinto seu cheiro, e estou me cuidando conforme pediu.
''Gostei de você, gostei pra caralho...''
''I've got no chance
And nothing to say
But stay
Here for a while
Baby blue
But if only
You could see
My shadow crossing your path
It won't be the last
Baby blue''
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Sou a sereia de barro, eu estourei meus ouvidos, eu caí de cara num labirinto sem terra e sem chão. Tinha medo do escuro, agora tenho mais não, aprendi que nele podemos dormir, colidir sem sentir dor, nada melhor do que se livrar disso tudo quando a noite caí, quando o sol dá um adeus e os pássaros voltam para seus ninhos, aparecendo os morcegos, os olhos brilhantes engolindo o choro, o sopro do que o dia trouxe.
Barro é nada mais que o contorno dos medos existentes, daquele calafrio que a tristeza provoca e o vazio tira, ou então a solidão que traz um misto de tristeza e vazio, de calafrio e morfina, uma ardência no peito que choca contra o medo de nunca mais...
Mas o medo é constante, é vivo. Medo sou eu, a sereia de barro. Ardência no peito, morfina exagerada, lágrima que cai depois das seis da noite.
sábado, 11 de outubro de 2014
p, g, g, f
''Gostaria que houvesse
uma maneira de voltarmos ao passado para mudá-lo…Mas não havia, e não
havia nada que pudéssemos fazer a esse respeito.Por isso, fiquei calado e
tentei dizer-lhe telepaticamente…o quanto eu estava arrependido,com
tudo que tinha acontecido.Quando penso em toda a dor, tristeza e
sofrimento que existe no mundo…me dá vontade de fugir.Gostaria, sério,
que pudéssemos deixar esse mundo para trás. Nos levantássemos como dois
anjos no meio da noite e…como num passe de mágica…desaparecêssemos.''
—
Mistérios da carne (2004)
terça-feira, 22 de julho de 2014
Todo dia podia ser noite, pra ter calmaria.
Sem tristeza, nem manias, apenas alegrias.
Na enseada me aconchego,
o acalanto do mar ouço sem medo,
pego a vida em meio aos dedos,
debaixo da lua cheia,
e começo a sonhar.
Sonhar que a tristeza é limpada na água e tirada no sal,
que a pele abriga dentro dela a esperança,
e em forma de dança,
e eu sou meu próprio lar.
Na noite, na calmaria,
eu consigo me alegrar.
E esquecer os problemas, as lágrimas,
da amarga vida, que eu venho a levar.
E esquecer os problemas, as lágrimas,
da amarga vida, que eu venho a levar.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Se há direito ao choro, eu me esgoelo. Se há direito ao ter, eu me apeteço. Se há direito ao beijo, eu transo. Se há direito ao medo, eu me aflijo. Se há direito ao ato, eu me desfaço.
Cada linha, cada traço, em tudo isso desapareço. Cada dia, cada noite, em tudo isso soluço.
Viver em meio a dor, porque se há direito em pensar, eu me confundo, da mesma forma que se há direito de me apaixonar, eu me odeio. Mas por que?
Se há direito ao 8, eu sou 80.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Sad eyes
Eu cortava caminho como quem não quer e não sabe de nada, mas eu sabia que havia de insano naqueles olhos, tão tristes, tão vermelhos.
Poderia atirar quarenta dardos mas nada tranquiliza isso dentro de mim; preciso me afastar mais e não quero, mas me afasto. Jogo-lhe dúzias do meu sangue branco, gelado, nesse corpo com coração que mal bate e você se despede com as mãos atadas.
''Foi mal, foi mal'' - é o que tu dizes, mas eu te digo, que eu errei e eu que queria te dizer ''foi mal, foi péssimo'', mas não posso.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
coisas difíceis de engolir
''Parabéns
a todas as hipócritas que "ajudam" só pra poder mostrar pros outros que
podem, gente que nunca fez algo com amor pra ti e ainda querem exigir
algo, gente que te promete o mundo e da risada quando você se fode...
Não é a toa que você é miserável, que ninguém te ama e que vai ser sozinha o resto da vida. Decidiu se curvar e deixarem te montar, só nunca lembre de mim quando precisar, porque eu ainda vou cuspir no seu caixão.'' vi no facebook esse texto, e quando tiver oportunidades, lerei em alto e bom tom a certas pessoas.
Não é a toa que você é miserável, que ninguém te ama e que vai ser sozinha o resto da vida. Decidiu se curvar e deixarem te montar, só nunca lembre de mim quando precisar, porque eu ainda vou cuspir no seu caixão.'' vi no facebook esse texto, e quando tiver oportunidades, lerei em alto e bom tom a certas pessoas.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Há uma tempestade em minha cabeça, são muitos relâmpagos e travões. Um tufão.
Meu perto arfa, dá alguns lampejos mas suspira de alívio.
Há uma linha de separação entre a alegria e a tristeza e essa linha se chama Vazio. Estou no Vazio há tempos e posso dizer que mesmo raso, ele te afoga.
Vez ou outra eu cortejo a alegria e me divirto com a tristeza, conseguindo paz e lágrimas nas duas, conseguindo crises existenciais na segunda e muitas loucuras e risadas na primeira.
Todos podem possuir um pulso forte que se adapta a dias muito claros ou muito escuros, de forma ou outra a gente se adapta mesmo com um furacão na cabeça e mil pontas de facas no coração, que o que sempre restará é estar vivo aproveitando o que há entre a linha até o último passarinho pousar no jardim, avisando que o inverno já chegou. Corações frios não se aquecem mais.
Meu perto arfa, dá alguns lampejos mas suspira de alívio.
Há uma linha de separação entre a alegria e a tristeza e essa linha se chama Vazio. Estou no Vazio há tempos e posso dizer que mesmo raso, ele te afoga.
Vez ou outra eu cortejo a alegria e me divirto com a tristeza, conseguindo paz e lágrimas nas duas, conseguindo crises existenciais na segunda e muitas loucuras e risadas na primeira.
Todos podem possuir um pulso forte que se adapta a dias muito claros ou muito escuros, de forma ou outra a gente se adapta mesmo com um furacão na cabeça e mil pontas de facas no coração, que o que sempre restará é estar vivo aproveitando o que há entre a linha até o último passarinho pousar no jardim, avisando que o inverno já chegou. Corações frios não se aquecem mais.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Tom Jobim
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais.
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais.
sábado, 3 de maio de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Emoldurado
Como se eu colecionasse estrelas tortas e folhas secas, ou então sapatos de um pé só, eu também colecionava suas fotos, fotos em cores frias e impressas pelas suas digitais mortas, seu sorriso de plástico, da mesma moldura roxa do porta retrato aonde ficam guardadas - no canto mais afastado da casa.
Minha respiração não falhava quando eu colhia as estrelas pelo céu escuro, nem quando eu subia árvores altas para panhar as folhas secas que caiam junto com a temperatura congelante, por mais masoquista e insano que aquilo fosse, porém, quando eu tocava o porta retrato, meus dedos formigavam e eu teria um infarto ali mesmo se não soubesse controlar minha mente tão bem depois de tanto sufoco.
Minha respiração não falhava quando eu colhia as estrelas pelo céu escuro, nem quando eu subia árvores altas para panhar as folhas secas que caiam junto com a temperatura congelante, por mais masoquista e insano que aquilo fosse, porém, quando eu tocava o porta retrato, meus dedos formigavam e eu teria um infarto ali mesmo se não soubesse controlar minha mente tão bem depois de tanto sufoco.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Enterrei-te junto com a agônia dos dias tristes.
Lá estava sua alma tão morta quanto meu amor por ti, mas ainda pairava-se no ar a fumaça de nossos cigarros enquanto meus olhos (gelados, estagnados) iam acompanhando sua alma se partindo e indo em direção a outra direção, a outras pessoas, outra vida.
Eu nunca consegui te dizer adeus.
sábado, 19 de abril de 2014
g-dragon
Minha solidão só cresceu com o passar do tempo
A liberdade para viver do meu jeito
Era também meu maior fardo
A liberdade para viver do meu jeito
Era também meu maior fardo
segunda-feira, 14 de abril de 2014
'Sim, eu odiava ter que me levantar
da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois de se
passar a noite inteira a dormir cria-se uma espécie de intimidade
especial que fica muito mais dificíl de largar. Sempre fui solitário.
Desculpe-me, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se
não fosse por uma ou outra fodidela, não me faria a mínima diferença se
todas as pessoas do mundo morressem. Eu sei que não é uma atitude
simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol.
Afinal de contas, foram as pessoas que me tornaram infeliz.'
Charles Bukowski
domingo, 13 de abril de 2014
A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.
Charles Bukowski
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Things i dont like to talk about are killing me
Palavras amargas circundam em minha língua; tão ásperas que machucam o céu de minha boca.
Meu grito é um eco grande no infinito, e inferno é o nome do meio da minha mente.
São cinco vidas inteiras que eu posso sentir dentro de mim, mas só uma eu consegui morrer, eu sobrevivi por tão pouco, eu me apoiei em muito pouco, delirei na escassez da ilusão.
Entalado em meu coração está todo o medo e pânico, entalado em minha mente está todo o sofrimento e promessas não cumpridas, entalado em minha garganta está todas as palavras sujas, as verdades doloridas, as frases jamais ditas e suas mentiras tão deprimentes, que só quando eu falar e berrar tudo que sinto, tudo isso - as palavras, as verdades, as frases e as suas mentiras-, eu serei, eu me tornarei pura novamente.
domingo, 6 de abril de 2014
Sonho de valsa
Eu dancei a valsa como quem não quer nada, masquei uma porção de chicletes e ainda calcei minhas botas para caminhar enquanto observava o anoitecer..
(Pensando bem, tudo que eu faço é sem querer nada, sem vontade.)
Meus olhos vazios, ocos, escuros, se confundiam com a escuridão da noite, minhas botas pesadas se confundia com o asfalto duro.
Minhas mãos suaves ainda estavam em ritmo da valsa de mais cedo, dos amores do passado.
Minha boca mascava chicletes imaginários, sentindo o gosto amargo da solidão, o gosto indeciso de dias vazios embargados em dúvidas: O que serei? Quando serei? Aonde fui? Aonde chegarei?
Em casa, eu danço a mesma valsa. Em casa eu me deito no colchão tentando sair do limbo, tentando tirar o sorriso opaco do rosto, a expressão cinza do rosto pálido, então começo a ver os contornos da minha alma, os medos que ainda me rodeiam, o anoitecer que nunca se vai.
Dentro de mim, eu deixo a valsa fluir...
sexta-feira, 28 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
Para os que vivem no gelo,
Não no gelo exatamente, como esquimós, mas dentro de uma grande tormenta fria que se torna ao longo do tempo; depois de tanto sofrimento e tanta dor, que
você
vai
se CONGELANDO... E
é como se você vivesse em seu próprio cubo de gelo, que neva a cada instante a medida que suas lágrimas vão caindo e sendo congeladas pelos seus sentimentos, ou pela falta deles - estão cada vez mais escassos e difícieis de serem sentidos;
eu vejo mas não sinto,
eu toco nada sinto,
porque o frio, me anestesia.
Nós precisamos ser derretidos.
domingo, 23 de março de 2014
''Quando ela insiste em beijar seu travesseiro...''
Enrolados, como cadarços de criança, nunca conseguíamos nos livrar; do desejo, do medo, da luxuria, que penetra em nossa pele quando estamos nós dois, no quarto fechado e escuro, transpirando e suspirando, enquanto todos lá fora seguem suas vidas, trabalham em algo ou se focam no céu limpo de todas as tardes quentes dessa cidade tão vazia de tanta gente cheia da vida, cheia de ódio, cheia de tédio, de ócio, de medo, assim como nós (...)
Porém, nós dois nos encontramos; partimos corações antes, seguimos duas estradas totalmente longe e curvilíneas, como labirintos...
Mas.. nós chegamos até aqui, aos suspiros e gritos, em noites quentes e agoniantes, aonde meu coração fervilhava em meu peito, enquanto nos entupiamos de cerveja gelada, acalmando o calor que o desejo, o medo e a luxuria nos traz.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Sereníssima
Ès o que me faz forte,
mas também me tornas tão fraco.
Deu-me toda a luz quando tudo parecia um obstaculo...
Seus olhos opacos refletem meu medo,
Meu rosto pálido reflete seu desejo; de sumir, de prender-me em seus braços e escorregar entre as montanhas de seu ego.
Meus pés rastejam entre círculos desenhados em grandes tamanhos, enquanto me fitas de longe, na opacidade do seu olhar, sorrisos doentios e atos improvisados de todos em nossa volta consegue fazer-me adoecer e cair; por entre os círculos.
domingo, 16 de março de 2014
Eu gosto de quando grandes estragos são feitos, aqueles no qual o peito arde, e o cérebro pulsa, fazendo o estômago se contrair em um grande nó.
Isso me torna tão feliz a ponto de quebrar garrafas mas também tão triste a ponto de fazer o mesmo, afinal nossos corpos tão crus, tão cheios de pecado, a falta de juízo invade nossas narinas, fazendo-nos quebrar nosso próprio limite em busca de algo sólido e que nos alivie toda a agonia instalada em nossa alma.
sexta-feira, 14 de março de 2014
10 coisas que odeio em você
"Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar"
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar"
terça-feira, 11 de março de 2014
"Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma."
Federico García Lorca
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma."
Federico García Lorca
sábado, 8 de março de 2014
Rezei durantes cinco verões no topo da colina enquanto fumava os cigarros de palha roubados do meu avô, observando as andorinhas e os outros passarinhos.
Minhas unhas roídas, tinham gosto de tequila, meus olhos ardiam mais que a palha se desfazendo pela brasa, minhas mãos eram gélidas como a chuva que caia no final da tarde porém meu coração estava totalmente aquecido pelos chás de camomila que minha mãe preparava para melhorar minhas dores de garganta - um chá tão doce quanto minhas deliciosas memórias; as memórias do primeiro dente de leite que caiu, das noites chuvosas em que o medo e a felicidade se misturavam quando caia a energia, as memórias de quando vi teu olhar pela primeira vez... No baile de formatura.
Minhas unhas roídas, tinham gosto de tequila, meus olhos ardiam mais que a palha se desfazendo pela brasa, minhas mãos eram gélidas como a chuva que caia no final da tarde porém meu coração estava totalmente aquecido pelos chás de camomila que minha mãe preparava para melhorar minhas dores de garganta - um chá tão doce quanto minhas deliciosas memórias; as memórias do primeiro dente de leite que caiu, das noites chuvosas em que o medo e a felicidade se misturavam quando caia a energia, as memórias de quando vi teu olhar pela primeira vez... No baile de formatura.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Você percebe que está sozinho quando tudo que você quer é ficar sozinho; isolado, perdido. Fugir; você quer fugir mas não tem pernas, nem pra onde. Você quer se afundar mas tudo está raso demais.
Essa a solidão; um pires raso e pequeno que te sufoca a cada instante, a cada ventania que dá, o coração salta pra fora, mas fica dependurado, numa agônia infinita - e tu só me fita com os olhos diminutos e a boca aberta num ''O'', ninguém pode me salvar.
Essa a solidão; um pires raso e pequeno que te sufoca a cada instante, a cada ventania que dá, o coração salta pra fora, mas fica dependurado, numa agônia infinita - e tu só me fita com os olhos diminutos e a boca aberta num ''O'', ninguém pode me salvar.
quarta-feira, 5 de março de 2014
I'm crying hearts but i don't have one
A tristeza é um sentimento antigo que nem lembra mais como sentir, porque agora o vazio em meu peito impera e eu posso me jogar de três edíficios que continuo tão inerte como estava.
Me acostumei de uma forma tão massiva, grande, que convivo com a dor; meu órgão, meu tipo sanguíneo. Uma grande, enorme, parte de mim. Um parasita, está aqui, se alinhou a mim e não a sinto mais, porque agora eu sou a dor- sou tão amarga, tão indesejável, tão dolorosa com ela. ''Prazer, meu nome é Dor.''
Sou a Dor, a amargura está em mim, a desconfiança.. Essas pessoas, todas elas eu rodeio de desconfiança; eu te toco, não sinto nada, eu te beijo, minha dor te passo e quando dormimos, o alívio do descanso, se penetra em meu cerébro e o desejo do sono eterno é profundo, constantemente me atiro de três edifícios - mas como eu disse, eu fico inerte.
Fico inerte num ponto totalmente crítico; toco-lhe, toco-me, toco o céu, as estrelas podem até cair, mas a amargura não passa...
Contei exatos 18 anos e não passou;
a amargura
o vazio.
Já a dor, passou.
Porque eu tive de me tornar-la. Tornei-me minha própria dor.
Agora, eu não choro mais.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Coloque Billie Holiday para tocar, deite-se comigo na rede, enquanto falamos sobre nossas viagens para cidades do interior e você me conta o quanto você gastou dinheiro em jogos de video game e observamos a lua celestial no céu tão imenso e marrom-poluição dessa cidade; que gaste a noite toda, acredito que possa te amar enquanto mergulho em sentimentos mais neutros.
Flutuando em sonhos feitos de pluma, mas pesados como pedra; pedra rara e delicada, verdadeiramente rubi.
As nuvens no céu se dissipam, por cima da planície o ônibus passa, sacudindo-se sob cascalhos; 30 pessoas carregam seus sonhos, suas expectativas, segurando-se para não cairem, mãos firmes seguram a si mesmos, entre os bancos sujos e gastos de mais um dia de rotina e suor.
Todo o esforço valerá a pena. Tem de valer.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
"Tem um fim para toda tempestade. Quando todas as árvores forem
arrancadas. Quando todas as casas forem destruídas. O vento vai se
acalmar. As nuvens vão se dispersar. A chuva vai parar. O céu ficará
limpo em um instante. E só então nesses momentos silenciosos após á
tempestade nós descobrimos quem foi forte o bastante para sobreviver."
— Grey’s Anatomy.
— Grey’s Anatomy.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
O oceano está separando nossas fumaças de cigarro
Eu tinha medo de te falar, e te dizer, tudo que eu sentia por você;
tinha medo de olhar nos seus profundos olhos castanhos enquanto
fumávamos, tinha medo de sorrir quando dançávamos...
Daí você se
foi, triste, raivoso, se foi - agora um oceano nos separa; separa nossos
medos, separa nossa ansiedade boba de sábado a noite, separa as
feridas, separa nossa vergonha, e nossos corações amargurados.
Olharei
para as ruas tão cheias de gente vazia, ruas sujas e quentes, onde
costumávamos andar, passear, nos encontrar e não te acharei mais por
lá.
Não te acharei mais entre as luzes coloridas da pista da dança.
Não
te encontrarei mais no fim da noite, eu bebada, com alguém dependurado
em meus braços e você largado, drogado, na sarjeta - porque agora, um
oceano está separando as fumaças de cigarro que costumávamos dividir
todo sábado a noite, no centro iluminado da cidade perdida.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Estou em um táxi com Tristessa, bêbado, com uma garrafa de uísque Juarez Bourbon no malote de dinheiro da ferrovia que eles me acusaram de roubar da estrada de ferro em 1952 – aqui estou eu na Cidade do México, um sábado à noite chuvoso, mistérios, velhas ruas laterais de sonho e sem nomes passam vertiginosamente, a ruazinha onde eu caminhara por entre multidões de vagabundos índios enrolados em mantas trágicas, suficientes para fazer você chorar, e você achou ter visto facas reluzindo sob as dobras – sonhos lúgubres tão trágicos quanto aquele da Velha Noite da Estrada de Ferro, com meu pai sentado com suas coxas grandes no vagão de fumantes da noite, cochilando enquanto seguia pelos trilhos vastos, enevoados e tristes da vida – mas agora estou no alto daquele platô vegetal que é o México, a lua de Citlapol com quem eu esbarrara algumas noites antes no telhado sonolento a caminho do antigo banheiro de pedra com goteira – Tristessa está doidona, linda como sempre. Vai alegre para casa deitar na cama e curtir sua morfina.
Noite anterior tive uma discussão silenciosa na chuva sentado com ela
nos balcões sombrios da meia-noite comendo pão com sopa e bebendo
Delaware Punch. Saí dessa conversa com a visão de Tristessa em minha
cama, em meus braços, a estranheza de seu rosto amoroso, asteca, garota
índia com olhos de Billie Holliday misteriosos e semicerrados e com uma
grande voz melancólica como as atrizes vienenses de rostos tristes como
Luise Rainer que fizeram toda a Ucrânia chorar em 1910.
Curvas lindas em forma de pêra moldam a pele de seu rosto, que tem
pestanas compridas e tristes, e uma resignação de Virgem Maria, e uma
compleição cor de café e textura de pêssego e olhos de um mistério
impressionante com uma falta de expressão de profundidade rasteira, meio
desdém meio um lamento de dor pesaroso. “Estou doente”, ela sempre diz
para mim e Bull enroscada na almofada. Estou na Cidade do México em um
táxi com os cabelos desgrenhados, e enlouquecido. Passo pelo Cine México
em meio a engarrafamentos chuvosos bebendo da garrafa. Tristessa tenta
se explicar em arengas longas que na noite anterior, quando a botei em
um táxi, o motorista tentou agarrá-la e ela deu um soco nele, uma
notícia que o motorista atual recebeu sem comentários. Vamos até a casa
de Tristessa para sentar e ficarmos doidões. Tristessa já me avisou que a
casa está uma bagunça porque sua irmã está bêbada e doente e El Indio
estará lá sentado majestosamente com uma agulha de morfina espetada no
braço moreno, os olhos vidrados olhando para você, ou esperando que a
espetada da agulha traga a própria chama e falando “Hmmm, za… a agulha
asteca em minha carne flamejante”. Muito parecido com o gato grande em
Culiao que me apresentou 0 na vez em que eu vim ao México para ver
outras visões. Minha garrafa de uísque tem uma tampa mexicana frouxa
estranha. O tempo todo eu acho que ela vai se soltar e deixar toda a
minha bolsa afogada em uísque com 43% de álcool.
Pelas ruas enlouquecidas de sábado à noite com chuva como Hong Kong,
nosso táxi avança devagar por entre os caminhos do Mercado e saímos no
bairro da rua das putas e saltamos atrás das barracas perfumadas de
frutas e dos quiosques de tortillas, feijão e tacos com bancos fixos de
madeira – o bairro pobre de Roma.
Pago os 3,33 do táxi com dez pesos e peço “seis” de troco, que recebo
sem qualquer comentário e me pergunto se Tristessa acha que ostento e
sou perdulário demais, o grande John Bêbado no México – Mas não tenho
tempo para pensar, andamos apressados pelas calçadas escorregadias com
reflexos de néon e da luz das velas dos ambulantes que vendiam
castanhas sobre um pano sentados no chão – entramos rapidamente na viela
fedorenta onde ficava a casa de cômodos de um andar – Quando entramos,
passamos por torneiras gotejantes, baldes e meninos. Nós nos abaixamos
para passar por baixo de roupa pendurada e chegamos à sua porta de
ferro, que está destrancada naquele interior de adobe, e nós entramos na
cozinha, a chuva ainda pingando das chapas de metal e tábuas que
serviam como telhado da cozinha – e permitiam que gotinhas caíssem
ruidosamente na cozinha sobre o lixo da galinha no canto úmido – Onde
agora, miraculosamente, vejo o gatinho rosa dando uma mijadinha sobre
pilhas de restos de quiabo e comida de galinha. O quarto lá dentro está
completamente imundo e bagunçado, como se tivesse sido saqueado por
loucos, com jornais rasgados espalhados e galinhas comendo arroz e
pedacinhos de sanduíches do chão – A irmã de Tristessa está na cama,
doente, enrolada em uma colcha rosa – é tão trágico quanto a noite em
que Eddy levou um tiro na chuvosa Russia Street -
*
Jack Kerouac
Tristessa
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
As estradas de 87
Imagine quanto tempo se passou desde que aquele ônibus partiu pela estrada pedregosa? Era maio de 87, lembro-me bem.
Levava consigo uma flor no cabelo e mil lágrimas, cada uma pra um alguém, cada um com um motivo, mas todas com motivos de saudade.
Foi-se tua primeira vez na cidade, primeira vez que pode andar com tuas próprias pernas sem ter medo do escuro, sem ter medo de barulhos. Vestia um lindo vestidinho azul e sapatinhos de salto.
Chegou maio de 87, e agora, era você quem ia, se mandava, pegava o ônibus de volta, por mais que queria permanecer, naquele dia, tu fostes embora com lágrimas nos olhos e na sua memória você pertencia a rodoviária, sentada nos banquinhos, agarrando teus próprios pés e imaginando: ''Aonde todos vão?''
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Baby i'm radioactive
Meu coração é radioativo; quem o toca, se machuca. Tem ferimentos, é dolorido, fica dilacerado.
Faz em mim; machuca mais ainda, dói mais- meu coração bombeia todo o topor de sentimentos malucos de dez em dez segundos e depois murcha e esfria por dias, até que começa a bombear tudo de novo, num loop infinito, sem parar, sendo tocado cada hora por alguém tão inocente, que baseia o amor em meu rosto infantil e delicado, sendo totalmente enganado por uma máscara - por trás dessa, existe amargura e confusão.
Toque-me.. E se dilacere...
Faz em mim; machuca mais ainda, dói mais- meu coração bombeia todo o topor de sentimentos malucos de dez em dez segundos e depois murcha e esfria por dias, até que começa a bombear tudo de novo, num loop infinito, sem parar, sendo tocado cada hora por alguém tão inocente, que baseia o amor em meu rosto infantil e delicado, sendo totalmente enganado por uma máscara - por trás dessa, existe amargura e confusão.
Toque-me.. E se dilacere...
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Bad b*tch, ops WITCH
Poderia em meu mais doce sonho, descrever-lhe a face que me alimenta a cada dia? Poderia em meu mais obscuro e medonho pesadelo, descrever-lhe como eu tinha medo do ursinho de pelúcia de olhos vermelhos que ficava na cômoda de minha prima?
Desde que cheguei nesse porão imundo, onde me colocaram, ELES ME COLOCARAM! Eu te juro!! Desde que cheguei aqui eu não posso mais ver as flores de cerejeira cairem na grama cor de esmeralda, nem cortejar o luar que sorri pra mim nas noites em que eu tomava chá na varanda de casa.
Me colocaram como um medonho animal nesse porão. Me dão alguns restos de pão, até de ração e sardinha vencidos. Eu choro. Choro todo dia.
Eu não sabia, não sabia que.. A linhagem que eu pertencia era perigosa; daqui um ano eu não iria me conseguir mais controlar, morderia até animais, sem dó nem piedade.
Tudo começou quando eu estava na casa de Vitty, estavamos fazendo bolo de chocolate. Ela chamou seu namorado para nos fazer companhia e estava chovendo. De repente, o barulho da batedeira, da chuva, dos relâmpagos, trovões e estalos de beijo começaram a me irritar - irritando a tal ponto que coloquei minhas mãos dentro da batedeira para para-lá, mas nada aconteceu comigo, apenas deu um queda de energia.
Eu gritava, e meus olhos estavam arregalados como de um gato no banho.
O que eu acabara de fazer?
Contei o acontecimento para minha mãe mais tarde, assustada, olhando a serpente que meu irmão guardava em nosso quarto, rastejar pelo seu terrário.
Rapidamente mamãe chamou meu pai, e eles me trancaram no porão, em meio a gritaria.
- Você é a mais perigosa, e nem sequer entrou no Coven... - disse minha mãe.
- Por isso a manteremos aqui até ela cessar. Até completar 16 anos, assim poderá entrar pro Coven e melhorar seus poderes.
PODERES?
COVEN?
Minha mente girava, dóia também. Eu queria chorar, mas aberração não chora. Então, comecei a refletir, refletir sobre tudo, enquanto espero nesse porão, meu aniversário de 16 anos chegar... Calma, menina, ainda faltam 5 meses...
Desde que cheguei nesse porão imundo, onde me colocaram, ELES ME COLOCARAM! Eu te juro!! Desde que cheguei aqui eu não posso mais ver as flores de cerejeira cairem na grama cor de esmeralda, nem cortejar o luar que sorri pra mim nas noites em que eu tomava chá na varanda de casa.
Me colocaram como um medonho animal nesse porão. Me dão alguns restos de pão, até de ração e sardinha vencidos. Eu choro. Choro todo dia.
Eu não sabia, não sabia que.. A linhagem que eu pertencia era perigosa; daqui um ano eu não iria me conseguir mais controlar, morderia até animais, sem dó nem piedade.
Tudo começou quando eu estava na casa de Vitty, estavamos fazendo bolo de chocolate. Ela chamou seu namorado para nos fazer companhia e estava chovendo. De repente, o barulho da batedeira, da chuva, dos relâmpagos, trovões e estalos de beijo começaram a me irritar - irritando a tal ponto que coloquei minhas mãos dentro da batedeira para para-lá, mas nada aconteceu comigo, apenas deu um queda de energia.
Eu gritava, e meus olhos estavam arregalados como de um gato no banho.
O que eu acabara de fazer?
Contei o acontecimento para minha mãe mais tarde, assustada, olhando a serpente que meu irmão guardava em nosso quarto, rastejar pelo seu terrário.
Rapidamente mamãe chamou meu pai, e eles me trancaram no porão, em meio a gritaria.
- Você é a mais perigosa, e nem sequer entrou no Coven... - disse minha mãe.
- Por isso a manteremos aqui até ela cessar. Até completar 16 anos, assim poderá entrar pro Coven e melhorar seus poderes.
PODERES?
COVEN?
Minha mente girava, dóia também. Eu queria chorar, mas aberração não chora. Então, comecei a refletir, refletir sobre tudo, enquanto espero nesse porão, meu aniversário de 16 anos chegar... Calma, menina, ainda faltam 5 meses...
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Black beauty
Em meio as cartas de baralho e as bolas de bilhar, você estava lá, fumando o melhor cigarro que poderia comprar com seus míseros 5 reais, bebendo refrigerante com vodka e falando com seus amigos.
Eu estava com meu melhor vestido comprado em qualquer loja de departamento e com o batom vermelho de sempre.
Fui até a sacada do apartamento, observar as estrelas, a lua, o vasto e escuro céu. Não o achava sombrio, eu gostava. Também não te achava sombrio, mesmo você carregando toda a tristeza nos seus olhos e todo o medo na sua risada; era tão suave e seu jeito tão desengonçado - parecia um moleque de 16 anos.
Meu maiô incomodava, ele estava muito pequeno, mas era o mais bonito; vermelho com bolinhas brancas. Eu havia ganhado de meu avô no meu aniversário de 14 anos e agora eu tinha quase 20 - minhas pernas não eram tão finas como antes.
Fomos caminhar na praia, só nós dois. Seus cabelos tão escuros e encaracolados, um jeito tão bonito ao me levar até o mar.
''O que é o mar senão uma imensidão de água salgada, ondas batendo, quebrando em recifes, formando corais, abrigando peixes?'' - você me perguntou enquanto caminhávamos sentindo as ondas se quebrarem na areia e nos nossos pés.
''Quando pequena, quis eu ser sereia ou então selkie. Viver no mar. Sabe? Eu sempre achei que essa imensidão trazia algo mais...'' - respondi-lhe, pegando em suas mãos. Tão quentes e macias. Colidimos em temperatura.
Beijo. Risadas. Ondas no fundo.
Soltamos suspiros...
''Eu queria ser um personagem de anime. Poderes e cabelos coloridos. Olhos cor de violeta. Lutar contra o mal. Vencer. Essas coisas...'' - você sempre conseguia ser criança. Ser inocente, e engraçado...
O milkshake que eu pedi era de baunilha e o seu de chocolate com amendoim. Nossos gostos eram distintos até na hora de comer, não acha?
''Suas unhas ficam bonitas pintadas de preto.'' - sua voz estava rouca.
''Combinam com seus olhos, seu cabelo.'' - dei um gole na baunilha.
''Meu humor?''
''Quando eu te disse na praia que sempre achei que o mar, que sua imensidão trazia algo a mais... Você se lembra?''
''Lembro, querida...''
''Eu também pensei nisso ao ver seus olhos. Ver sua alma. Seu jeito.. Sua imensidão escura. Escura como a noite que nos conhecemos.. Sua imensidão. Sua imensidão, da tua alma, dos teus olhos, do teu cabelo..'' - e você não me deixou terminar a frase pois começou a me enxer de beijos e suspiros, mas agora, eu te digo: sua imensidão me provou que tinha algo a mais; uma beleza escura e tão bonita de se ver...
Eu estava com meu melhor vestido comprado em qualquer loja de departamento e com o batom vermelho de sempre.
Fui até a sacada do apartamento, observar as estrelas, a lua, o vasto e escuro céu. Não o achava sombrio, eu gostava. Também não te achava sombrio, mesmo você carregando toda a tristeza nos seus olhos e todo o medo na sua risada; era tão suave e seu jeito tão desengonçado - parecia um moleque de 16 anos.
Meu maiô incomodava, ele estava muito pequeno, mas era o mais bonito; vermelho com bolinhas brancas. Eu havia ganhado de meu avô no meu aniversário de 14 anos e agora eu tinha quase 20 - minhas pernas não eram tão finas como antes.
Fomos caminhar na praia, só nós dois. Seus cabelos tão escuros e encaracolados, um jeito tão bonito ao me levar até o mar.
''O que é o mar senão uma imensidão de água salgada, ondas batendo, quebrando em recifes, formando corais, abrigando peixes?'' - você me perguntou enquanto caminhávamos sentindo as ondas se quebrarem na areia e nos nossos pés.
''Quando pequena, quis eu ser sereia ou então selkie. Viver no mar. Sabe? Eu sempre achei que essa imensidão trazia algo mais...'' - respondi-lhe, pegando em suas mãos. Tão quentes e macias. Colidimos em temperatura.
Beijo. Risadas. Ondas no fundo.
Soltamos suspiros...
''Eu queria ser um personagem de anime. Poderes e cabelos coloridos. Olhos cor de violeta. Lutar contra o mal. Vencer. Essas coisas...'' - você sempre conseguia ser criança. Ser inocente, e engraçado...
O milkshake que eu pedi era de baunilha e o seu de chocolate com amendoim. Nossos gostos eram distintos até na hora de comer, não acha?
''Suas unhas ficam bonitas pintadas de preto.'' - sua voz estava rouca.
''Combinam com seus olhos, seu cabelo.'' - dei um gole na baunilha.
''Meu humor?''
''Quando eu te disse na praia que sempre achei que o mar, que sua imensidão trazia algo a mais... Você se lembra?''
''Lembro, querida...''
''Eu também pensei nisso ao ver seus olhos. Ver sua alma. Seu jeito.. Sua imensidão escura. Escura como a noite que nos conhecemos.. Sua imensidão. Sua imensidão, da tua alma, dos teus olhos, do teu cabelo..'' - e você não me deixou terminar a frase pois começou a me enxer de beijos e suspiros, mas agora, eu te digo: sua imensidão me provou que tinha algo a mais; uma beleza escura e tão bonita de se ver...
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Akai Ito significa "Fio Vermelho" e teve origem
na China, durante o período Hokuso. Segundo a lenda original chinesa,
todos nós temos uma corda vermelha (invisivel aos olhos humanos),
amarrada ao nosso tornozelo, que nos liga à nossa alma gémea, a pessoa
com quem estamos destinados a passar o resto da nossa vida não
importando a situação. Então é isso mesmo que o Akai Ito é: "Um fio
vermelho invisível que conecta os que estão destinados a conhecer-se,
independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode
esticar-se ou emaranhar-se mas jamais se quebrará." Quanto mais longo
for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estão e vice
versa... (Quanto mais curto for o fio, mais perto e mais felizes as
pessoas destinadas estão.)
A lenda espalhou-se pelo espalhou-se pelo Leste Asiático (Japão &
Coreia) e foi incorporada no folclore oriental, sofrendo apenas algumas
modificações. A versão mais conhecida desta lenda é a versão nipônica
(Japão), na qual a corda passa a ser um fio fininho e o tornozelo passa a
ser o dedo mindinho. Um fio fino vermelho (diz-se que é de algodão),
também invisível aos olhos humanos, é amarrado, pelos deuses ao dedo
mindinho dos futuros amante. Como estamos falando de alma gêmeas, apenas
duas pessoas podem estar conectadas... Por isso, não importa quantos
relacionamentos tenhamos, pois só viveremos a "experiência do verdadeiro
amor" com a pessoa que estiver na outra ponta do Fio Vermelho.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Devaneios de primeiro de janeiro
Tentei-lhe mandar todas as cartas atrasadas pelo correio e os cadarços de seu tênis por pombo correio, porém todo o dia que eu tinha para fazê-los eu gastei comprando brigadeiro e uma faixa de cabelos. Me desculpa, de verdade, quem sabe no próximo ano, eu deixe de gastar minha grana com besteiras, esqueça de comprar os fogos e compre selo para mandar tuas cartas. Quem sabe, eu cresça.
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