quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Devore os seus sentidos em um. Beba e acenda um cigarro. Caminhe por aí em noites frias. Deleite-se em seu próprio desejo de ser alguém e ter alguém.
Compre maconha e faça seu próprio baseado; boa viagem.
Pinte suas unhas de vermelho e deixe borrar.
Leia Bukowski e chore porque tudo que ele diz é verdade.
Regue seus cactos e deixe os morrer.
Faça mil coisas sem medo de se arrepender, inclusive, textos ruins em madrugadas de insônia.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Sao uma da manhã aqui e aí devem ser meia noite. O horário, a distância e sua frieza nos separa.
Eu sempre demonstrei meus sentimentos por você e sempre procurei te entender nos momentos que você parecia segurar o mundo nas costas mas nada que eu fiz mudou o fato de você ter me deixado sozinha esperando por uma ligação que poderia parar algo constante em mim.
Você sempre teve duvidas do que sentia por mim e em relação a nós. Eu sempre te dei todo o tempo do mundo e esse tempo se resultou em 4 anos de espera e agonia.
Tudo finalmente estava bem e eu já estava estranhando porque na minha vida tudo resolve desmoronar em períodos bons como uma avalanche.
Eu te culpo por ser assim, Você tem dormido tranquilo durante anos e eu não. Suas dúvidas sempre foram algo normal para você, porque você tem facilidade de sumir quando algo está fodido. Mas pra mim, suas dúvidas sempre foram crueis e sempre foderam a minha ansiedade. Eu não consigo sumir dos problemas como você, então pra mim tá sendo um peso grande, um sentimento que eu senti há 5 anos atrás.

Eu tô desesperada e você nao quer me ajudar. Seu desgraçado.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O odor das madrugadas solitárias é o mesmo desde dez anos atrás, quando comecei a ficar noites em claro pensando no limbo e em como sair dele; o limbo era branco e cheirava mel, posso dizer que era um inferno, como a cena de Coven AHS, em que nunca se conseguia sair dele.
O limbo era rodeado de almas mesquinhas e padronizadas. O cheiro de mel era tão forte que revirava meu estômago, dava um nó e eu queria vomitar, mas eu não conseguia. Esse limbo durava uma noite toda e depois se repetia pela manhã. Ainda posso sentir cheiro de mel e ver almas mesquinhas, embora eu tenha me desprendido desse limbo, mas ele ainda reside no meu interior, provocando medo e sensação de agonia pela noite. Aterrorizada eu fecho os olhos, pego no sono, mas o cheiro enjoativo de mel se exala. Almas mesquinhas dançam ao meu redor quando eu finalmente adormeço.

                                                A perseguição não para nunca.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

As coisas saíram do controle?
Sei disso quando me pego dobrando as esquinas quadradas,
batendo meus pés em uníssono,
desejando ir para casa,
porque estava frio demais pra chorar.

As coisas saíram do controle?
Talvez não, mas hoje eu me tranquei no banheiro do trabalho,
porque ontem eu li no tarot que uma grande tempestade está pra chegar
e hoje fui demitida. Sem mais nem menos.

As coisas saíram do controle?
Não me importa mais, não me importo não,
acostumei a ter razão quando digo que sofro sem motivo,
não há objetivo em tamanho sofrimento
Dentro de mim derreto em tamanho escândalo.

As coisas saíram do controle?
Sim, mais um dia em 21 anos.

Posso afirmar que nada esteve controlado.

Na estação do acaso eu encontrei meu bem

Você sempre foi tão cético com tudo, e eu sempre acreditei até nas previsões de jornal... Você me criticava por esse tipo de coisa mas no fundo me fazia perguntas sobre os astros e sobre nosso amor, sobre o destino fantástico e as coisas pequenas do universo, e quando eu te respondia, com a boca grudada no telefone, a língua no céu da boca; ''estávamos juntos em outras vidas'', ria de mim como uma criança ri de uma piada boba e revirava os olhos, mas seu coração acelerava e meus olhos se enchiam d'água, porque de alguma forma aquilo fazia sentido e você sabia disso, mas era cético demais pra admitir o medo das coisas inexplicáveis...

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Coração de celofone.

Tempo. Preciso de tempo. Dei-me um viratempo. Pare um relógio. Coloque algumas roupas nas malas. Quero viajar. Dormir. Sonhar...
Relógio dá oito horas, nove horas, o tempo para e voa ao mesmo tempo, e eu fico nos meus devaneios de querer dormir, viajar e sonhar. 
Tempo. Preciso de tempo. Tempo, não seja ruim comigo. Passe rápido. Passe certo, certinho. Eu preciso vê-lo, tocá-lo. Assim, sabe? Preciso criar as asas. Sentir o frio úmido de Buenos Aires também. Tempo, seja gentil comigo porque meu coração é de papel, papel celofone,

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A Lolita dentro de mim - Marjorie

Cabelos curtos até os ombros, cacheados e castanhos. Sardinhas e as unhas roídas. Você pode me ver saindo facilmente da escola, porque me destaco pelas pernas finas. Tenho 14 anos, e sequer tenho seios bonitos ainda. Isso me irrita. Mas não irrita Johny, meu namorado. Ele tem 18 anos, tem uma vespa.
Fomos com ela para o parque. Era sexta, nove e meia da noite. Menti a mamãe que ia para casa de Louise, dormir e comer pipoca enquanto víamos Rambo. Mentira, pura mentira.
Fui com um vestido vermelho que ganhei de vovó no natal passado. Coloquei sapatilhas pretas e uma meia calça branca. Eu sentia frio quando descemos e finalmente pudemos acender um cigarro.
Era um campo verde e redondo. Havia um arbusto com trepadeiras, que formava uma bela penumbra. Não havia bancos. Era bem simples, um lugarzinho isolado que sempre iamos depois da escola e depois que ele saia do trabalho.
Sentamos debaixo de uma arvore e antes de me abraçar, ele tirou do bolso um cigarro estranho, meio marrom, feito a mão.
- O que é isso?
- Maconha. Um baseado, Marja.
Coloquei as mãos na boca, comprimindo os olhos.
- Isso é pecado!
- Que? - Johny me olhou surpreso. - Da onde tirou isso?
- Minha mãe falou! - grunhei. - Queime isso!
Assim o fez, mas não como eu pensava. Ele acendeu, deu uma tragada e  me beijou, me passando a fumaça. Assustada, meus dedos formigaram e eu tossi.
- Relaxa, Marja. - acariciou meu rosto, colocando o baseado em minha boca. Tinha um gosto bom.
- Fuma, gatinha.
Dei uma tragada e fechei os olhos, quando abri estava tudo girando levemente.
- Não é gostoso? - suas mãos estavam em meus quadris.
Assenti com a cabeça.
Demos mais alguns tragos e eu tive uma viagem. Uma viagem que eu deitava por cima dele e ele me preenchia...
Acordei com meu sutiã em seu rosto.
Você é tão estupidamente descartável, que nem um poema esdrúxulo merece,
mas como eu sou teimosa, resolvi fazer assim mesmo, por te agradecer a ter me tornado mulher.

domingo, 26 de junho de 2016

''Quando as lágrimas caem, eu não sei nem mesmo o que fazer com a minha menor boa lembrança
Porque dói tanto, prometemos deixar um ao outro ir
Mas eu não tenho certeza se posso fazer isso
Por favor, deixe-me pelo menos ouvir a sua respiração

Havia tanta coisa que eu queria dizer, mas eu não consegui dizer nada
Nós dissemos que estávamos bem, consolando a dor um do outro
Quando olho para trás, estávamos apenas felizes, não deixamos um ao outro ir''


Sou um doido, libertino e alcoólatra. Sou alguém que padeceu faz alguns anos, vez ou outra acorda do coma para respirar.
Pessoas me enlouquecem, me machucam, como se eu fosse apenas um saco de pancads; então, novamente, eu vou para meu coma. 
Peço ajuda agora, para acordar, pois sou fraco, uma montanha de sentimentos descontrolados. Estou frio, não consigo me mexer.
Deixe-me dormir.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A minha dor, ela só pertence a mim! Engula suas palavras ríspidas contra mim. Pare de achar que sabe de alguma coisa. Você não sabe nada. N-A-D-A. 
Quem é você, afinal? Apenas mais um, apenas mais um que me fodeu em todos os sentidos, apenas mais um que acha que sou sua, apenas mais um que bate punheta e joga o gozo na meia como o imbecil que é, o fraco, fracassado, uma cópia menor do fracasso e da vergonha.
Sabe de uma coisa? Você fez a antiga Evelyn voltar. A antiga Evelyn libertina que escrevia e saia para as noites sem medo do que pudesse acontecer.
Ela está mais viva do que nunca.
Prometi a mim mesma que eu devia voltar a escrever. Isso é parte de mim
Tantos textos e histórias que eu escrevia, em cadernos e computadores. Como um fio que cortava tudo e me trazia para o êxtase. 
Sem escrever eu posso explodir como uma granada.
E agora, eu preciso da escrita, mais do que nunca.