Lembro de quando me deu conselhos, que havia estrelas nos seus olhos. Você fala de amor próprio como fala de plantas. Toda sua naturalidade. Todo meu vislumbre.
Enquanto você dita a regra que ir no parque e caminhar é uma das maiores demonstrações de amor a si mesmo, eu imagino gigantes cactos te cobrindo, como se fossem a sua personalidade. Espinhosa, forte, mas bonita.
Eu sempre fui apaixonada por cactos, comprava-os no mercadinho e na feira de domingo. Tive de vários formatos, tamanhos, nomes. Eu não dava nome a eles, eu digo, nome científico.
Uma tarde eu resolvi catalogá-los, não tendo mais o que fazer. Hoje em dia, eu tenho sempre pressa, e não posso passar a tarde classificando cactos de estimação.
Gostaria de me sentar perto de você novamente só para ver as estrelas. Para enroscar a mão em sua nuca, enquanto tento me esquecer de algum problema que eu estava tendo. Sempre assim, você sabe, as crises existenciais.
Podemos beber todo o conhaque, e eu nem gosto de conhaque, que existe nesse mundo. Podemos fazer comparações de beber conhaque a noite com passar a tarde se dedicando a plantas. È perda de tempo de qualquer modo, mas como você disse, não há demonstração maior de amor próprio.