sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lembro de quando me deu conselhos, que havia estrelas nos seus olhos. Você fala de amor próprio como fala de plantas. Toda sua naturalidade. Todo meu vislumbre.
Enquanto você dita a regra que ir no parque e caminhar é uma das maiores demonstrações de amor a si mesmo, eu imagino gigantes cactos te cobrindo, como se fossem a sua personalidade. Espinhosa, forte, mas bonita.
Eu sempre fui apaixonada por cactos, comprava-os no mercadinho e na feira de domingo. Tive de vários formatos, tamanhos, nomes. Eu não dava nome a eles, eu digo, nome científico.
Uma tarde eu resolvi catalogá-los, não tendo mais o que fazer. Hoje em dia, eu tenho sempre pressa, e não posso passar a tarde classificando cactos de estimação.
Gostaria de me sentar perto de você novamente só para ver as estrelas. Para enroscar a mão em sua nuca, enquanto tento me esquecer de algum problema que eu estava tendo. Sempre assim, você sabe, as crises existenciais.
Podemos beber todo o conhaque, e eu nem gosto de conhaque, que existe nesse mundo. Podemos fazer comparações de beber conhaque a noite com passar a tarde se dedicando a plantas. È perda de tempo de qualquer modo, mas como você disse, não há demonstração maior de amor próprio.

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