sexta-feira, 30 de setembro de 2016

As coisas saíram do controle?
Sei disso quando me pego dobrando as esquinas quadradas,
batendo meus pés em uníssono,
desejando ir para casa,
porque estava frio demais pra chorar.

As coisas saíram do controle?
Talvez não, mas hoje eu me tranquei no banheiro do trabalho,
porque ontem eu li no tarot que uma grande tempestade está pra chegar
e hoje fui demitida. Sem mais nem menos.

As coisas saíram do controle?
Não me importa mais, não me importo não,
acostumei a ter razão quando digo que sofro sem motivo,
não há objetivo em tamanho sofrimento
Dentro de mim derreto em tamanho escândalo.

As coisas saíram do controle?
Sim, mais um dia em 21 anos.

Posso afirmar que nada esteve controlado.

Na estação do acaso eu encontrei meu bem

Você sempre foi tão cético com tudo, e eu sempre acreditei até nas previsões de jornal... Você me criticava por esse tipo de coisa mas no fundo me fazia perguntas sobre os astros e sobre nosso amor, sobre o destino fantástico e as coisas pequenas do universo, e quando eu te respondia, com a boca grudada no telefone, a língua no céu da boca; ''estávamos juntos em outras vidas'', ria de mim como uma criança ri de uma piada boba e revirava os olhos, mas seu coração acelerava e meus olhos se enchiam d'água, porque de alguma forma aquilo fazia sentido e você sabia disso, mas era cético demais pra admitir o medo das coisas inexplicáveis...

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Coração de celofone.

Tempo. Preciso de tempo. Dei-me um viratempo. Pare um relógio. Coloque algumas roupas nas malas. Quero viajar. Dormir. Sonhar...
Relógio dá oito horas, nove horas, o tempo para e voa ao mesmo tempo, e eu fico nos meus devaneios de querer dormir, viajar e sonhar. 
Tempo. Preciso de tempo. Tempo, não seja ruim comigo. Passe rápido. Passe certo, certinho. Eu preciso vê-lo, tocá-lo. Assim, sabe? Preciso criar as asas. Sentir o frio úmido de Buenos Aires também. Tempo, seja gentil comigo porque meu coração é de papel, papel celofone,

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A Lolita dentro de mim - Marjorie

Cabelos curtos até os ombros, cacheados e castanhos. Sardinhas e as unhas roídas. Você pode me ver saindo facilmente da escola, porque me destaco pelas pernas finas. Tenho 14 anos, e sequer tenho seios bonitos ainda. Isso me irrita. Mas não irrita Johny, meu namorado. Ele tem 18 anos, tem uma vespa.
Fomos com ela para o parque. Era sexta, nove e meia da noite. Menti a mamãe que ia para casa de Louise, dormir e comer pipoca enquanto víamos Rambo. Mentira, pura mentira.
Fui com um vestido vermelho que ganhei de vovó no natal passado. Coloquei sapatilhas pretas e uma meia calça branca. Eu sentia frio quando descemos e finalmente pudemos acender um cigarro.
Era um campo verde e redondo. Havia um arbusto com trepadeiras, que formava uma bela penumbra. Não havia bancos. Era bem simples, um lugarzinho isolado que sempre iamos depois da escola e depois que ele saia do trabalho.
Sentamos debaixo de uma arvore e antes de me abraçar, ele tirou do bolso um cigarro estranho, meio marrom, feito a mão.
- O que é isso?
- Maconha. Um baseado, Marja.
Coloquei as mãos na boca, comprimindo os olhos.
- Isso é pecado!
- Que? - Johny me olhou surpreso. - Da onde tirou isso?
- Minha mãe falou! - grunhei. - Queime isso!
Assim o fez, mas não como eu pensava. Ele acendeu, deu uma tragada e  me beijou, me passando a fumaça. Assustada, meus dedos formigaram e eu tossi.
- Relaxa, Marja. - acariciou meu rosto, colocando o baseado em minha boca. Tinha um gosto bom.
- Fuma, gatinha.
Dei uma tragada e fechei os olhos, quando abri estava tudo girando levemente.
- Não é gostoso? - suas mãos estavam em meus quadris.
Assenti com a cabeça.
Demos mais alguns tragos e eu tive uma viagem. Uma viagem que eu deitava por cima dele e ele me preenchia...
Acordei com meu sutiã em seu rosto.
Você é tão estupidamente descartável, que nem um poema esdrúxulo merece,
mas como eu sou teimosa, resolvi fazer assim mesmo, por te agradecer a ter me tornado mulher.