sábado, 5 de setembro de 2015

Minhas madeixas tingidas perderam a cor no momento que subi no ônibus e nunca mais te vi, e os cactos do seu jardim secaram de tanto eu ter os agado, mas tudo bem porque semana passada cruzamos a mesma esquina enquanto chovia canivetes em meu crânio dizendo: afaste-se, perigo.

Por falar em se afastar, lembro-me de quando eu me afastava das ondas geladas do mar do Sul e ao mesmo tempo recordava de você me dizendo que nunca viu o mar; porque ele é longe, é infinito, é profundo; como tu.


A mira nada mais proporciona um tiro certeiro no meu peito de carne e osso
de quem sem sustento algum faz das tripas coração
e desliza pela superfície rochosa de corações aleatórios
a boca em um copo sujo de bar
que desce o líquido amarelo dos perdedores
enquanto pneus de camionetes cantam pelo asfalto quente,
a pupila dilata dos olhos castanhos do menino a frente,
tragando sua erva daninha,
faz-me pensar no que aquelas pupilas guardam,
mesmo meu estômago já guardando nós os suficientes
de ecos que nunca se calam,
os pneus continuam a cantar até a cerveja acabar.