segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Mora uma víbora no meu coração que o envenena todo. Mora um escorpião no meu cérebro que o envenena todo.
Meu coração costumava ter flores, meu cerébro estrelas, mas devido ao veneno está tudo seco.
Ando envenenada por aí, enquanto os carros cantam pneus e os sorvetes derretem debaixo desse sol quente, que causa um colapso nervoso em cada esquina, mas não importa, porque eu estou envenenada, estou pesada demais para me importar com a temperatura, com os raios solares, pois dentro de mim habita algo peçonhento demais, tão duro quanto o mármore das estatuas de um museu, tão incandescente quanto o glitter no cabelo das crianças, tão denso quanto fumaça das fábricas, porém mesmo assim é tão vazio, fora do lugar; um cacto numa floresta tropical.  

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pilar poem

coubeste
em um pequeno
pedaço de papel.
caberia o mundo
mas Eu quis
que só coubesse
Você

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

''notas marginais''

Toda cidade tem os abismos que você precisa, olhos
errantes, bocas, labirintos, mapas de engano, cada vez
mais fundo, abandonadas
pra sempre as ilusões de quem vê
metafísica na pedra – paredes
não são coisa do espírito, cara, são
carne sem hormônios, mero cenário, fundo
disperso, e no palco a cena é do sangue que pulsa e invade
os tecidos, movido por suas substâncias,
sem direção, aleatórias como cardumes
ou moscas.

sábado, 5 de setembro de 2015

Minhas madeixas tingidas perderam a cor no momento que subi no ônibus e nunca mais te vi, e os cactos do seu jardim secaram de tanto eu ter os agado, mas tudo bem porque semana passada cruzamos a mesma esquina enquanto chovia canivetes em meu crânio dizendo: afaste-se, perigo.

Por falar em se afastar, lembro-me de quando eu me afastava das ondas geladas do mar do Sul e ao mesmo tempo recordava de você me dizendo que nunca viu o mar; porque ele é longe, é infinito, é profundo; como tu.


A mira nada mais proporciona um tiro certeiro no meu peito de carne e osso
de quem sem sustento algum faz das tripas coração
e desliza pela superfície rochosa de corações aleatórios
a boca em um copo sujo de bar
que desce o líquido amarelo dos perdedores
enquanto pneus de camionetes cantam pelo asfalto quente,
a pupila dilata dos olhos castanhos do menino a frente,
tragando sua erva daninha,
faz-me pensar no que aquelas pupilas guardam,
mesmo meu estômago já guardando nós os suficientes
de ecos que nunca se calam,
os pneus continuam a cantar até a cerveja acabar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mesmo desistindo de tudo, consigo afundar usando bóias, mas as vida continua para as crianças lá fora; elas pulam na piscina e mergulham até o fundo. Continua para os lutadores de box, socando aqueles sacos de pancada enquanto descontam a raiva em algo não vivo e continua também para os alpinistas que estão na Suíça no gelo duro e congelante.


E os lutadores caem, 
as crianças afogam
os alpinistas não alcançam o topo,
e eu continuo a queimar em mármore frio, a ter o coração de papel rasgado enquanto o último cigarro queima meus lábios grudado nos teus - firmes.

Enquanto os dias se passam diversos, os olhos perdem o foco para a dor submersa em revista em quadrinhos e remédios para dormir. No décimo segundo que te vejo, tu sorris e nada mais aconteceu. Somos um instante grande que ainda vai se repetir.



sábado, 8 de agosto de 2015

A saudade é um batimento que rebenta assim
vinte e oito vezes desde meu ombro tatuado
de desastre até à rosa pendurada em sua boca
E o amor, neste caso específico, é um mergulho
destemido que deriva quase sempre de uma nota
climática apenas para convergir no osso frontal
do crânio do rei da ilusão – terno é o seu rosto

Senhor, os ossinhos do mundo são de mel e ouro.
Anda, escuta que isto é sério. O mundo está tremendamente esquisito. Há dez anos atrás o Leo me disse que existe uma rachadura em tudo, e que é assim que a luz entra. Não sei se entendi. Você percebe alguma coisa da mistura entre falhas e iluminação? Aliás, me diga, você percebe alguma coisa de carpintaria? Você sabe por que foi que meteram um boi naquele estábulo em vez de um pequeno rinoceronte? Deve ter tido alguma coisa a ver com geografia ou com os infelizmente insolucionáveis mistérios  que só podem vir no misticismo asiático. Um boi é um bicho tão  inexplicável. Ainda bem. O amor é um animal tão mutante, com tantas divisões possíveis. Lembra daqueles instrumentos que usávamos na boca quando éramos pequenininhos? Lembra da queda deles no chão? Então, acho que o amor quando aparece é em tudo semelhante  a forma física do mercúrio no mundo. Quando o vidro do termômetro se quebra o movimento químico se espalha e então ele fica se dividindo pelos salões de todas as festas. O mercúrio se multiplicando... Acho que deve ser isso uma das cinco mil explicações possíveis para o amor.  Ah é, eu gosto de você. A luz entrou torta por nós adentro, mas olha, eu gosto de você. A luz do verão passado quebrou o vidro da melancolia e agora ela fica se expandindo pelas ruas todas. Desde aquilo o outro lado do sol, a testa tremendo agora. Hoje ainda faz bastante frio. As cinzas ainda não aterraram sobre as cabeças disfarçadas. Tem gente batucando suor e cerveja pelas ruas da nossa cidade sul. Na cidade norte, há ondas de sete metros tentando acertar o terceiro olho dos rapazinhos disfarçados de caubói. O mestre ainda não veio decretar o começo da abstenção e, olha, a luz ainda está conosco. Sim, o mundo está absurdamente esquisito. Já ninguém confia nas imposições dos perfeitos. A esta hora na Terra é metade carnaval, metade conspiração, metade medo, metade fé, metade folia, metade desespero. E provavelmente a esta hora uma metade do mundo está dançando e outra metade dormindo. Há ainda outra metade limpando as armas, outra limpando o pó das flores. Mas por causa do que me ensinou o místico eu acredito que agora exista alguém profundamente acordado. Alguém que esteja vivendo no intervalo tênue entre o sono e a agilidade. Supondo que ele saiba perfeitamente que este começo de século será nosso batismo de voo para a persistência no amor. João molhou a testa de Manoel, os gritos das ruas molham as testas de nossos corações. De que lado você está eu não me importo. De que garfo você come, de que copo você bebe, que posto 7 você escolhe, qual é seu orixá, seu partido, sua altura, de qual das suas cicatrizes você cuida, que pássaro você prefere, quem é seu pai, qual é seu samba, pinot noir ou chardonnay, que protetor você usa, qual é sua pele, seu perfume, qual político. quantos amores você sonha em que Fernando, que Ofélia,  que cinema, que bandeira, em que cabelo você mora, qual dos túneis de Copacabana? Reze para seus santos quando atravessar. É, é impossível viver no país de Deus e seu tesouro (?) barato. Mas atravessar o gramado de Deus de bicicleta, isso não é impossível não. Escuta, isto é sério.  Andamos (?) juntos, distraidamente. As árvores crescem conosco, nossa pele se estende, nosso entendimento teso também. O século cresce conosco. O amor pelas ventas da cara do mundo, também. Quanto ao um pra um entre nós dois, isso logo se vê. Não sei nada sobre a paixão, suspeito que você também não. Mas começo a entender que o compasso da festa  vai mudando a passos largos, dois pra lá e dois pra cá. Portanto, escuta, isto é muito sério. Isto é uma proposta aos trinta anos. Agora que o mercúrio assumiu sua posição certa, vem comigo achar o meu trono mágico entre a folhagem e no caminho até lá,  vem dançar comigo,  vem.

domingo, 14 de junho de 2015


Eu trago

queria que fosse você,
mas é só outro cigarro.

''

Não sou capaz de alcançar todos os seus poros dilatados.

Tiro pedaços do meu coração para cobrir a falta de afagos que há em você, petit. Mas pena que meu amor é pouco para essa tua gula de querer ter o mundo em teus olhos de uma só vez.''

quarta-feira, 10 de junho de 2015

manuel bandeira

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos in-
[tencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais
[límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

sea of love

Anjo de gesso,
metade humano, metade semi deus.
Metade feiticeiro, metade criança,

menino cor de mel,
dos olhos castanhos que me prenderam,
dentro do seu charme,
dentro do seu medo,
dentro da sua insegura,
dentro do seu peito,
dentro de tudo isso,
estou eu,
feita de montanhas e reticências,
procurando você,
procurando seus restos,
enquanto nós,
trocamos gemidos e olhares,
arranhões e mordidas,
socos e prazeres,

eu sinto você me fazer de boneca de pano,
enquanto na verdade me olha como se eu fosse uma cigana,
uma sereia,
totalmente perdida,
no mar escuro dos seus olhos,
cor de terra,
cor de chocolate,
um oceano em colisão
totalmente forte, totalmente bravo
com meu coração.
Baby,
não se afaste assim de mim,
venha e me ame
nos lençóis vermelhos
de nosso sexo ardente.
Não deixe-me ficar
sem lhe sentir profundamente.
Venha e me lambuze
com teus desejos sórdidos,
brinque com nossos fetiches
e deixe com que nossas almas
nos guiem para os pecados
da carne.
Beije-me fortemente,
apertando minha cintura
de encontro ao seu corpo,
passando suas mãos fortes
por entre meus cabelos.
Remexa meus sentidos.
Deixe-me rebolar arduamente
em cima de seu colo dominador.
Enquanto vejo em sua expressão
a hipnose de nossa explosão.
Baby,
lhe quero nessas noites frias,
onde meu coração se petrifica
com a solidão.
Quero-te em minha cama solitária,
onde meus pensamentos
correm em direção à imaginação
de seus toques
e meus dedos descem
por entre minhas pernas abertas.
Nas noites em que me toco
pensando nos seus toques,
sinto sua ausência
pairar sobre os cantos
das paredes
e meu corpo arder
com a chama de meus desejos por ti.
São em meus sonhos
nas madrugadas,
em que corro para perto
de sua alma
e lhe beijo com a gostosura
de meu tesão nos elevadores
de nossa relação.
Não deixes com que me percas de ti,
não vá andando assim,
caminhe ao meu lado,
apertando minha bunda
enquanto andamos,
beijando meu pescoço
enquanto nos perdemos por aí.
Não deixe com que minha alma
se afunde em mim,
leve-a daqui para dentro
de seu universo particular,
onde as estrelas que iluminam
meu corpo nu ascendem o fogo
de meu coração inflamando-se
de excitação por ti.
Baby,
quero é perder-me por suas órbitas,
oscilar em seus pensamentos,
permanecer aquecida nas noites frias,
dormir ternamente
nos cobertores de sua alma.
Deixe-me sentir a febre
de seus sentidos,
delirar com seus toques
que queimam-me com o choque
de nossa fundição.
Quero é lhe sugar a alma,
lhe transmitir mil e uma
sensações diferentes,
deixar nossas áureas percorrerem
por entre nossos corpos unidos
e sincronizar nossos sentimentos.
Sua ausência
tem me causado arrepios,
um medo que invade os poros
de meu corpo
e me consome por inteira.
Um medo de não poder mais
sentir-te intensamente,
medo da perdição
de nossos olhares,
dos choques efusivos
de nossos corpos se tocando,
medo de não poder lhe ter mais
dentro de mim,
afundando-se em mim.
Baby,
eu lhe digo novamente,
meus desejos por você
tornaram-se incandescentes,
não se apagam
nem mesmo em sua ausência.
Não deixe-me cair
no infinito vácuo de seu silêncio.
Serei eternamente
sua gatinha selvagem.
- Flavia M. (vomite-me)

terça-feira, 26 de maio de 2015

Our first swim was the last swim of summer.
You said I needed boys that
Smelt like the sea;
Now that they are gone
And you are right
Memories lurk down by the wooden boats.
Things I didn’t know about;
I hate not knowing everything.
It is a reminder that the world exists without me,
That I am not a part of everything.
If only I had known then
You can only romanticise something when it’s gone,
Like some kind of consolation prize for your loss.
I will shut my eyes, open my legs
And view the world as I see it.
I find myself wishing there was only one place
I had ever known you
So I could destroy it.
There are too many places that have part of me.
We drove back the following night and you said
We had won
And I knew by you saying it that we hadn’t. ―Kate Vinen

domingo, 24 de maio de 2015

Vez ou outra,
vem alguém pra lembrar,
que o coração pode derreter
que o coração não é de metal
que esse órgão tem músculos capazes de amar,
e que chova muito amor dentro da minha aorta,
e que depois daquele beijo,
você me fez sua,
mais do que qualquer um.

domingo, 17 de maio de 2015

''Sinto-niza os Dez problemas 
Dois poemas
 Desordem, caos 
Mau olhado 
Bzz
 Mal contato
 É Bad trip.

 Poe um blues.
 Mas,
 Se tem arte,
 Meu bem 
Qualquer bad vira bed 
E a gente deita 
E rola 
E não é ninguém. Desliga a luz.''

terça-feira, 7 de abril de 2015

felipe

"At lunch, I think about your hands, and that’s it. That’s my spine unloosening for the day. That’s all the ocean in my belly heading straight to the shore of my throat. I think about your hands and suddenly, I don’t know what to do with mine. Suddenly my fingers are not my fingers but the empty space between them where yours should be. I am all missing, I lose myself for the day and leave to find you. I misplace my throat because it is clasped in the cup of your hand. I leave my bitten lips on your bedside table. My thighs have the ghosts of bruises unfurling into poppies, like bloodstains on snow. I break things because I am shaking and I am shaking because you are not with me and you are not with me because we are just learning to touch each other through the spaces between us. It is violent that we cannot touch each other, yet. It’s a war crime. It should be illegal that my fingers still haven’t learned the notches of your back. I think about holding your wrist in the O of my thumb and my index finger. I think about kissing the blue veins there. I think about careful mouth touches, and the tender of you. The warm, soft hollow of you, and how I lose my bottom lip wondering about yours. I’ll kiss you there, I promise. I promise.”
—Azra Tabassum, "These wrists, these eyes, these praying hands."

quarta-feira, 1 de abril de 2015

"hoje meu professor me contou
que toda célula do nosso corpo inteiro
é destruída e trocada por outra
a cada sete anos
como é reconfortante saber
que um dia terei um corpo
que você nunca tocou."


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

domingo, 4 de janeiro de 2015

Colados um no outro, eu desejava sua boca como um tigre deseja sua presa, uma criança deseja mel. Tocava-me como alguém já conhecido, fazia-me borbulhar brilhos de deseja, de ternura, bem ali, deitados sobre galhos, esmagando-me as costas, arranhando minhas vértebras, não era dolorido, porque em cima de meu corpo estava o seu, esbajando tudo aquilo que eu queria e agora tinha para mim; no mundo de fora estavam as ondas, o barcos, as estrelas e as conversas, dentro de nós estava a carne, o sangue borbulhando, faíscas e explosões, tudo tão natural que pareciamos ser o próprio mundo de fora, seja a conversa ou os barcos, mas na verdade eramos verdadeiros mares a serem descobertos, um pelo outro.

sábado, 3 de janeiro de 2015

He hit me and i felt like a kiss

Ecoa no meu peito o silêncio funebre de dias que jamais se vão, mas jamais ficarão enraizados na parte feliz da minha aura.
Doentio e carnal, enquanto ''vagabunda'' saia da sua boca sem mais delongas, a língua raspava do céu da boca até os dentes e em seguida esbanjava um sorriso de escárnio doentio ao ver a melancolia nos meus olhos mas nada poderia mudar, já ficou fixado na sua alma densa, empoeirada, como uma estátua num museu da Itália.

Bata-me como se eu fosse seu único amor, mas não se esqueça que no dia seguinte, o gosto do conhaque fica amargo e não adoça mais a boca, os dedos tingirão sua alma de preto e no fim do dia, perceberás que deixou o amor passar, amor de vagabundo.