domingo, 30 de abril de 2017

pure heart,
dirty mind.

deixa eu deitar na sua cama, tirar seu pijama... brincar de falar sacanagens, e tentar adivinhar seu sorriso na penumbra escura do sala, falando baixinho pra não acordar ninguém...
“Foram os livros que me deram consciência da amplitude dos sentimentos. Foram os livros que me justificaram como ser humano. Foram os livros que destruíram um a um meus preconceitos. Foram os livros que me deram vontade de viajar. Foram os livros que me tornaram mais tolerante com as diferenças.”

terça-feira, 25 de abril de 2017

Tempo, escapa, passa rápido. Quando eu era uma criança, ele se arrastava devagar, o natal demorava pra chegar, e meu aniversário então.. Se rastejava pelas paredes. E sempre parecia que os domingos iam ser infinitos, me dava uma tensa sensação de solidão. Parece que foi ontem, e já se fazem mais de 14 anos. Engraçado, não? Os domingos de quando eu tinha 8 anos, passavam mais devagar que esses 14 anos se passaram.
Agora, tudo voa. Uma hora parece um minuto. Isso é bom, mas também não é, acho que tudo é culpa dessa minha ansiedade ranzinza, que me faz ter uma agenda de atividades na cabeça, repetindo para mim mesma não esquecer de realizar nada. Maçante.
O tempo pode ser cruel, pode ser karmico, dependendo das suas ações. O tempo pode te dar mas pode te tirar. E ele tirou ele próprio do meu avô - meu avô não tem mais noção de tempo; não sabe mais que ano estamos, não sabe mais como tomar um banho. Ele esqueceu da época que era jovem, esqueceu de tudo um dia que foi bom ou ruim, mas de qualquer forma eram coisas que aconteceram a ele - o tempo foi lá, e roubou. Doença maldita; ele esqueceu até dos tempos que passou comigo em domingos eternos... Há 14 anos atrás.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

josé saramago

Enigma
Um novo ser me nasce em cada hora. 
O que fui, já esqueci. O que serei 
Não guardará do ser que sou agora 

Senão o cumprimento do que sei.

álvaro de campos


Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobresselente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro eléctrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos,
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio!...