terça-feira, 22 de julho de 2014

Todo dia podia ser noite, pra ter calmaria.
Sem tristeza, nem manias, apenas alegrias.

Na enseada me aconchego,
o acalanto do mar ouço sem medo,
pego a vida em meio aos dedos,
debaixo da lua cheia,
e começo a sonhar.

Sonhar que a tristeza é limpada na água e tirada no sal,
que a pele abriga dentro dela a esperança,
e em forma de dança,
e eu sou meu próprio lar.
Na noite, na calmaria,
eu consigo me alegrar.
E esquecer os problemas, as lágrimas,
da amarga vida, que eu venho a levar.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Se há direito ao choro, eu me esgoelo. Se há direito ao ter, eu me apeteço. Se há direito ao beijo, eu transo. Se há direito ao medo, eu me aflijo. Se há direito ao ato, eu me desfaço.
Cada linha, cada traço, em tudo isso desapareço. Cada dia, cada noite, em tudo isso soluço.
Viver em meio a dor, porque se há direito em pensar, eu me confundo, da mesma forma que se há direito de me apaixonar, eu me odeio. Mas por que? 
Se há direito ao 8, eu sou 80.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Sad eyes

Eu cortava caminho como quem não quer e não sabe de nada, mas eu sabia que havia de insano naqueles olhos, tão tristes, tão vermelhos.
Poderia atirar quarenta dardos mas nada tranquiliza isso dentro de mim; preciso me afastar mais e não quero, mas me afasto. Jogo-lhe dúzias do meu sangue branco, gelado, nesse corpo com coração que mal bate e você se despede com as mãos atadas. 
''Foi mal, foi mal'' - é o que tu dizes, mas eu te digo, que eu errei e eu que queria te dizer ''foi mal, foi péssimo'', mas não posso.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

coisas difíceis de engolir

''Parabéns a todas as hipócritas que "ajudam" só pra poder mostrar pros outros que podem, gente que nunca fez algo com amor pra ti e ainda querem exigir algo, gente que te promete o mundo e da risada quando você se fode...
Não é a toa que você é miserável, que ninguém te ama e que vai ser sozinha o resto da vida. Decidiu se curvar e deixarem te montar, só nunca lembre de mim quando precisar, porque eu ainda vou cuspir no seu caixão.'' vi no facebook esse texto, e quando tiver oportunidades, lerei em alto e bom tom a certas pessoas.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Há uma tempestade em minha cabeça, são muitos relâmpagos e travões. Um tufão.
Meu perto arfa, dá alguns lampejos mas suspira de alívio.
Há uma linha de separação entre a alegria e a tristeza e essa linha se chama Vazio. Estou no Vazio há tempos e posso dizer que mesmo raso, ele te afoga.
Vez ou outra eu cortejo a alegria e me divirto com a tristeza, conseguindo paz e lágrimas nas duas, conseguindo crises existenciais na segunda e muitas loucuras e risadas na primeira.

Todos podem possuir um pulso forte que se adapta a dias muito claros ou muito escuros, de forma ou outra a gente se adapta mesmo com um furacão na cabeça e mil pontas de facas no coração, que o que sempre restará é estar vivo aproveitando o que há entre a linha até o último passarinho pousar no jardim, avisando que o inverno já chegou. Corações frios não se aquecem mais.