terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O oceano está separando nossas fumaças de cigarro


Eu tinha medo de te falar, e te dizer, tudo que eu sentia por você; tinha medo de olhar nos seus profundos olhos castanhos enquanto fumávamos, tinha medo de sorrir quando dançávamos...
Daí você se foi, triste, raivoso, se foi - agora um oceano nos separa; separa nossos medos, separa nossa ansiedade boba de sábado a noite, separa as feridas, separa nossa vergonha, e nossos corações amargurados.
Olharei para as ruas tão cheias de gente vazia, ruas sujas e quentes, onde costumávamos andar, passear, nos encontrar e não te acharei mais por lá. 
Não te acharei mais entre as luzes coloridas da pista da dança.
Não te encontrarei mais no fim da noite, eu bebada, com alguém dependurado em meus braços e você largado, drogado, na sarjeta - porque agora, um oceano está separando as fumaças de cigarro que costumávamos dividir todo sábado a noite, no centro iluminado da cidade perdida.

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