Como se eu colecionasse estrelas tortas e folhas secas, ou então sapatos de um pé só, eu também colecionava suas fotos, fotos em cores frias e impressas pelas suas digitais mortas, seu sorriso de plástico, da mesma moldura roxa do porta retrato aonde ficam guardadas - no canto mais afastado da casa.
Minha respiração não falhava quando eu colhia as estrelas pelo céu escuro, nem quando eu subia árvores altas para panhar as folhas secas que caiam junto com a temperatura congelante, por mais masoquista e insano que aquilo fosse, porém, quando eu tocava o porta retrato, meus dedos formigavam e eu teria um infarto ali mesmo se não soubesse controlar minha mente tão bem depois de tanto sufoco.

Nenhum comentário:
Postar um comentário