domingo, 6 de abril de 2014

Sonho de valsa

Eu dancei a valsa como quem não quer nada, masquei uma porção de chicletes e ainda calcei minhas botas para caminhar enquanto observava o anoitecer.. 
(Pensando bem, tudo que eu faço é sem querer nada, sem vontade.)

Meus olhos vazios, ocos, escuros, se confundiam com a escuridão da noite, minhas botas pesadas se confundia com o asfalto duro.
Minhas mãos suaves ainda estavam em ritmo da valsa de mais cedo, dos amores do passado.
Minha boca mascava chicletes imaginários, sentindo o gosto amargo da solidão, o gosto indeciso de dias vazios embargados em dúvidas: O que serei? Quando serei? Aonde fui? Aonde chegarei?

Em casa, eu danço a mesma valsa. Em casa eu me deito no colchão tentando sair do limbo, tentando tirar o sorriso opaco do rosto, a expressão cinza do rosto pálido, então começo a ver os contornos da minha alma, os medos que ainda me rodeiam, o anoitecer que nunca se vai. 

Dentro de mim, eu deixo a valsa fluir...

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