Sou a sereia de barro, eu estourei meus ouvidos, eu caí de cara num labirinto sem terra e sem chão. Tinha medo do escuro, agora tenho mais não, aprendi que nele podemos dormir, colidir sem sentir dor, nada melhor do que se livrar disso tudo quando a noite caí, quando o sol dá um adeus e os pássaros voltam para seus ninhos, aparecendo os morcegos, os olhos brilhantes engolindo o choro, o sopro do que o dia trouxe.
Barro é nada mais que o contorno dos medos existentes, daquele calafrio que a tristeza provoca e o vazio tira, ou então a solidão que traz um misto de tristeza e vazio, de calafrio e morfina, uma ardência no peito que choca contra o medo de nunca mais...
Mas o medo é constante, é vivo. Medo sou eu, a sereia de barro. Ardência no peito, morfina exagerada, lágrima que cai depois das seis da noite.
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