quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Na nossa infância, congelavamos suco e fingiamos que era sorvete, faziamos trilhas em bando no
meio do matagal, e nesse ocasião eu sempre aproveitava para colher dentes de leão. 
Eu tinha medo de escalar as árvores mas mesmo assim o fazia; me jogava depois de subir, dos galhos mais altos, caindo sob o chão com os joelos ralados, veias arrebentadas e mãos arranhadas.
Me deitava de cara pra parede, imaginando milhares de desenhos ali, na manhã seguinte eu me levantava para fazer bolos de terra e sapatos de lata.
Como era puro o sonho infantil. Eu me dava conta que estava de baixo de uma galáxia cheia de estrelas e que aquilo era tudo passageiro. Não tinha medo. Uma criança feita de mármore. Corria. Não olhava, e ria, com as mãos entre a boca.
- Por que você grita tanto? - me perguntavam, eu era só uma criança, mas não poderiam me calar. Eu cresci em silêncio, mas no primeiro ato, da forma que eu escalava árvores, com meus sapatos de latas, comecei a gritar. Meus dedos hoje, assim como eu, não se calaram, e ainda bem, que ninguém tira da minha memórias, essas pequenas lembranças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário