Felipe.
Peço que você saia da minha vida da mesma maneira que entrou; do nada. A esmo, no espaço.
Sei que você já saiu por conta própria, com sua melhor postura de durão; o peito inflado, o cigarro na mão, rindo das minhas lágrimas secas.
Eu sei.
Você é um fantasma, e assim agem fantasmas; entram e saem do nada, numa fração de segundo que toca uma fagulha, evapora, quebra e ferve, tudo de uma vez só, tudo sem explicação, apenas pelo gosto do estrago, do medo do outro, dos olhos que se reviram, da língua que é mordida pelos dentes pontudos dos que ainda querem amar alguém, e ainda quero, Felipe, embora meu estômago se revira a todo momento que alguém tem a ideia absurda de tocar meus poros de maneira íntima, fazendo com que sua voz entre nos meus ouvidos mesmo você sendo um fantasma e não estando mais aqui (físico, mesmo nunca estando), eu ainda quero.
Conheço tantos lugares, areias, tijolos e edifícios. Conheço centenas de garotos de olhar castanho e linguajar ríspidos. Nenhum deles balança meus quadris nem me faz soar as mãos como você.
Mas você é um fantasma, já não volta mais aqui. Eu te exorcei, expulsei. Vá para o inferno, não vá voltar.
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